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A Mariquita, ponto de encontro dos baianos

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por Claudiana Silva

De longe, dá para sentir um cheiro agradável, familiar e a boca se enche d´água. O cheiro é do acarajé de Cira, que nos conduz ao Largo da Mariquita. Essa baiana de acarajé vende seus bolinhos numa das praças mais famosas do Rio Vermelho. Este bairro parece possuir uma misteriosa magia que atrai a todos, sendo um dos locais preferidos tanto para distração quanto para morar por pessoas comuns e celebridades, como o escritor baiano Jorge Amado, que residia no bairro. O Rio Vermelho é constituído por vários largos, que foram transformados em locais de encontro, com muita música, boa comida, muitos bares, teatros e restaurantes com cardápio que agradam a diversos paladares.

A Mariquita é um desses pontos de encontro para conversar, paquerar e passar o tempo. O largo está localizado na margem esquerda do Rio Lucaia, é composto pelo Mercado do Peixe à beira mar, a Praça onde estão dois bares e a baiana de acarajé, Cira. À noite o movimento é maior os bares espalham suas mesas no meio da praça. “Como é iluminada por uma fraca luz amarela, acaba adquirindo um clima diferente, lembrando uma praçinha de interior”, é o que afirma Roberlandia Silva, freqüentadora do Largo. Bem próximo às mesas, Rosilene Silva, filha de Cira, com suas ajudantes fritam os acarajés, disseminando aquele cheiro gostoso por todo o local, sendo impossível ir à praça e não comer este bolinho.

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A explicação para o nome Mariquita tem várias versões. Segundo historiadores, Mariquita é uma palavra tupi mairaquiquiig que significa “lugar que dá peixe miúdo”. Este peixe miúdo é a petitinga, que em certas épocas do ano dava em grande quantidade nessa praia, e era muito pescado. No livro “História de Salvador nos Nomes das Ruas” de Luis Eduardo Dórea, escritor, jornalista e pesquisador, mairaquiquiig em Tupi significa “sossobro dos franceses”, essa etimologia nos remete a Diogo Alvares Correia.  Historiadores afirmam que Diogo Correia foi um náufrago, um provável tripulante de um navio francês que passou a vida entre os índios do Brasil e facilitou o contato entre nativos e os primeiros missionários que aqui chegaram, consta ter sido ali o local de seu naufrágio.

Muita festa e pouco som
Como a Superintendência de Controle e Ordenamento do Solo do Município (SUCOM) proibiu o uso de som alto nos largos do Rio Vermelho, lá não existe mais aquele barulho de festa, oriundo do porta-malas dos carros e do Mercado do peixe. Hoje só há uma música bem baixinha, que se confunde com os murmúrios das conversas, produzindo assim um clima ideal para quem deseja “jogar conversa fora”. Os freqüentadores são pessoas mais sossegadas, que estão procurando exatamente esse tipo de ambiente. A freqüentadora Alessandra da Silva, diz que ambiente é bom. Ela adora ir ao Largo da Mariquita, pois é perto de onde mora, não acontecem brigas e a proximidade com o mar torna o local especial.

 

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Hoje a Praça da Mariquita é toda a área da margem esquerda do rio Camurujipe, onde se encontram bares e mais a frente o famoso Mercado do Peixe. Mas nem sempre foi assim. Antes, como nos conta Ubaldo Marques Porto Filho, em seu livro “O Rio Vermelho” , o largo da Mariquita era de dimensões maiores. Englobava a Praça do Colombo, na margem direita do Rio Camurujipe, onde hoje está o restaurante Colombo, e o Bingo.

Segundo Porto Filho, até a década de 30 no largo ficava o terminal coletivo e este setor possuía também duas praias bem freqüentadas, a da Mariquita e a do Buracão, a segunda com freqüentadores mais seletos. Hoje a praia da Mariquita não possui mais banhistas como antes, isso por que o Rio Lucaia está com altos índices de poluição e deságua neste local da praia, afastando os freqüentadores.

Maisa Silva de Sousa, dona do bar e restaurante Consulado da Cerveja, há oito anos trabalha no largo. Ela diz que o movimento é sempre bom, e que no verão aumenta. “A gente fica contente com a chegada do verão, pois esta é a época que aumenta o número de freqüentadores. Além dos clientes fies, aparecem muitos turistas”, afirma.

Jane Alves dos Reis, garçonete do bar Cabral Quinhentos, que trabalha há quatro anos no largo, diz que com o tempo o movimento caiu. “Antes as pessoas vinham mais aqui, depois da proibição da SUCOM, o número de pessoas foi caindo. Os finais de semana ainda são bem movimentados. O movimento melhorou depois que Cira veio para cá”.

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Agradável fim de noite
O Mercado do Peixe já foi muito freqüentado. O movimento começava nas sextas-feira à noite e só terminava na segunda pela manhã. Está localizado às margens da praia da Mariquita, é composto por vários boxes paralelos. Inicialmente foi construído com o intuito de comercializar os pescados trazidos do mar pelos pescadores e com o tempo foi transformado em local de lazer, é o que afirma Mário Sérgio pescador que trabalha no local. Lá as pessoas também encontram boa comida, principalmente frutos do mar e também pratos regionais, como o pirão de aipim. Quem freqüenta o Mercado são pessoas que estão saindo do trabalho, casais de namorados, grupos de amigos e aqueles que estão vindo de alguma fasta e não pretendem ir para a casa tão cedo. Ou seja, querem resenhar…Muitos clientes se afastaram porque, por determinação da SUCOM não se pode ouvir som alto, porém existem outras queixas, como explica Dona Zelita dos Santos, proprietária do boxe São Jorge. Ela trabalha a seis anos no Mercado do Peixe, e afirma que ainda continua lá por que não tem alternativa, e se mostra descontente em vários pontos. “São tantos os custos, a perseguição é muita, de todos os lados. Agente paga a prefeitura, associação, manutenção dos banheiros e não temos o retorno. Veja lá as condições dos banheiros, faz nojo, é isso que afasta os clientes”, comenta.

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O segurança Ivan Vasconcelos diz que o Mercado já teve sua época de glória, e que hoje o número de freqüentadores está muito reduzido. “Já foi muito bom, hoje é razoável. Antes o pessoal vinha muito aqui, o fim de noite era muito visitado, já foi até publicado pela Revista Veja, como um dos melhores fins de noite do país”. Afirma e continua dizendo que tem esperanças na volta da época de ouro do Mercado, e que o que distingue o antes do agora, é o número de freqüentadores. “Como antes vinham muitas pessoas, elas faziam uma festona, hoje às vezes ainda acontece um sambinha fundo de quintal que atrai muita gente, isso é bom”, conclui.

Outra baiana de acarajé é Rosilene Silva, que há seis meses deixou o extinto Largo das Baianas em Amaralina para trabalhar no Mercado do Peixe. Ela diz que o local é bom para se trabalhar. “É seguro, super tranqüilo trabalhar aqui, a clientela é fiel. Apesar de sempre aparecer gente diferente, tem gente que sempre vem aqui e a gente acaba conhecendo as pessoas”, afirma.

Como é uma extensão do Largo, o Mercado é também um ambiente bem aconchegante. O estudante Rosenberg Reis Santos diz que freqüenta o mercado porque é um local calmo, ideal para ele já que não gosta de muita agitação. “Olhe! É calmo, para mim que gosto de tomar minha cervejinha básica, com as pessoas que gosto, aqui é o local ideal, tranqüilo, pouca gente no final da tarde, super bom”, afirma.

Salvador possui muito locais especiais, podemos citar o Largo da Mariquita como um desses locais, com seus bares, uma localização privilegiada à beira mar, e tantas outras peculiaridades que conquistam a todos.  Quem quiser passar alguns instantes de muita tranqüilidade, conhecer gente nova, conversar bastante, fica uma excelente dica, sinta-se à vontade para conhecer o Largo da Mariquita no Rio Vermelho.

(novembro de 2007)

Uma resposta

  1. o acareje e bom mais o cheiro do esgoto é orrivel

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