por Talita Caldas
Fundado em meados da década de 70, o Centro de Abastecimento do Rio Vermelho representa um resgate do ambiente interiorano muito ausente nos grandes centros urbanos. Conhecido popularmente como CEASA, se tratava de uma tradicional feira a céu aberto, composta por barraquinhas de lona e guarda sol sem infra-estrutura para atender a população. Hoje ela pode ser descrita como um grande galpão ordenados em boxes, caracterizado pela comercialização varejista que realiza-se através de uma grande diversidade de produtos como flores, artesanatos, polpas de frutas, artigos para embalagens, frutas, verduras, carnes, além de restaurantes, barzinhos e lanchonetes.
Na seqüência das floriculturas Chácara Celeste, Viveiro, Okamoto Flores, Aphalandra Flores e Acácia flores que se localizam na fachada do mercado, o cliente se depara com uma variedade de flores enfileiradas pelo chão que exalam o seu cheiro dando uma sensação de tranqüilidade junto ao seu colorido que alegra o ambiente. A mistura do cheiro das flores com o cantar dos passarinhos e o latido dos cachorros que se encontram nas lojas veterinárias vizinhas as floriculturas, fazem com que por instantes os visitantes se esqueçam da vida movimentada da cidade e sintam o aconchego e paz de uma cidadezinha do interior. A Toca do Bicho, que é uma loja veterinária, além de trabalhar com o comércio legal de animais como peixes, coelhos, gatos, cachorros e passarinho, também disponibiliza produtos e consultas veterinárias, tosa e banho buscando na residência do cliente o seu animal de estimação.
No mercado, os estabelecimentos são distribuídos em boxes e por categorias para venda de produtos de todo o estado e também de fora do país. São encontrados desde frutas e verduras, até belíssimos artesanatos trazidos da Índia, China e Iraque. “90% do nosso artesanato é trazido do exterior”, contou Ruth Dorea, vendedora de uma das maiores lojas de artesanato do local, que possui o mesmo nome da floricultura citada anteriormente, a Chácara Celeste.
É estimado que aproximadamente três mil pessoas circulem diariamente pelo centro de abastecimento. Tem casos de pessoas que freqüentam não apenas para a comercialização ou consumo, mas estão constantemente lá por hobby. “Moro aqui atrás na Santa Cruz e passear aqui todos os dias é uma distração maravilhosa pra mim que já estou velha”, contou Zilda Santana, que tem 72 anos.
Para se instalar um comércio no local é necessário apresentar a proposta do ramo de interesse que se quer trabalhar. Havendo a aprovação, a coordenação da CEASA concede um termo de permissão de uso. A partir daí o novo comerciário passa a pagar taxas de aluguel, de água e de energia mensalmente, que varia de preço conforme o espaço e do tempo que se pretende alugar. “Aqui é como um condomínio, existem normas. Não se pode entrar sem camisa nem em trajes de banho”, disse o coordenador da Ceasa, Alberivaldo Moreira.
Apesar do Centro de Abastecimento se localizar na Avenida Luís Eduardo Magalhães, pode-se dizer que ele faz parte do bairro da Santa Cruz, que é caracterizado por habitações humildes espalhadas por suas inúmeras ruas. O bairro é considerado violento e perigoso. “Às vezes tenho medo de trabalhar aqui por causa da Santa Cruz aqui atrás. Além de ter assaltos pelas redondezas, aqui dentro também já tiveram casos”, revelou a vendedora Darilene Souza, da loja Fazendosca. O coordenador disse que a quantidade de policiais efetivos é suficiente para garantir a segurança dos clientes e vendedores. “Trabalho aqui há mais de 20 anos e, graças a Deus, nunca fui assaltado”, disse o vendedor de verduras Joselito Monteiro.
Segundo os vendedores, os meses de maior movimento são junho e dezembro, por causa do São João e do Natal, respectivamente, pela comercialização de produtos naturais como mel, castanha e uva passa. “Gosto muito de comprar aqui, porque além de ser barato, os produtos são de boa qualidade”, explicou a dona de casa Rosangela Mascarenhas. “Aqui eu encontro carnes e peixes fresquinhos. Passo sempre na floricultura pra deixar minha casa sempre arrumada e perfumada”, concluiu.
Além de fazer compras, ou depois de um longo dia de trabalho, as pessoas ainda podem se deliciar com a típica comida caseira, encontrada nos restaurantes do mercado. O famoso restaurante/bar do Edinho é uma das atrações da CEASA. O nome do restaurante leva o apelido do proprietário, Edson Alípio. Sua esposa e administradora do restaurante Irene Messias, revelou que apesar da grande variedade de pratos do cardápio, todos eles são muito requisitados, mas que a rabada com fato é a rainha da casa e conta, “todos os dias tem, todo dia colocamos panelaços no fogo e não sobra nada”. Ela contou também que antes de beber sua cerveja de preferência, é servida grátis, como aperitivo, uma bebida chamada Gabriela. A Gabriela se trata de uma bebida afrodisíaca especialidade da casa, que apenas o Edinho tem a receita e diz só revelá-la quando estiver perto de morrer. “Aqui é um espaço cultural. Aqui recebemos pessoas de todas as classes, de todos os gostos, de todas as preferências. Recebemos aqui muitos artistas. É Carlinhos Brown que vem, é Tatau, Tomate também vem. Só tá faltando a Ivete, mas como o pessoal da banda dela também freqüenta aqui, disseram que já deram o recado e que vão trazer a negona aqui”, contou Irene.
Então pra você que opta por produtos fresquinhos, dar preferência a um almoço com tempero caseiro e quer correr o risco de se esbarrar com alguma estrela popular, o Centro de Abastecimento do Rio Vermelho é o lugar certo.
(outubro de 2007)
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